Autoridade de Filho de Deus (Calimã)

Texto base: Tito 1: 4-5

“Escrevo a você, Tito, meu verdadeiro filho na fé, esta fé que é sua e minha. Que a graça e a paz de Deus, o Pai, e de Cristo Jesus, o nosso Salvador, estejam com você! A razão de tê-lo deixado na ilha de Creta foi para que você pusesse em ordem o que faltava fazer e para nomear os presbíteros das igrejas, como eu te instrui.”

Os nossos filhos são extensão de nós mesmos. Através da vida deles almejamos realizar os sonhos que guardamos no coração. Compartilhamos seus sonhos e lutamos para que eles, os nossos filhos, sejam bem sucedidos na vida. Nós, como pais, se for necessário, damos a vida pelos nossos filhos. Porque vemos que eles são a continuidade de nós mesmos.

Paulo não era o pai biológico de Tito, mas ele via a si próprio quando olhava para Tito. Como uma continuidade de si mesmo. Andavam no mesmo nível de fé em Cristo Jesus (esta fé que é sua e minha). Paulo confiava grandes coisas aos cuidados desse filho amado, pois sabia que tudo seria feito de maneira como se ele próprio estivesse fazendo.

Quando Tito é deixado na ilha de Creta por Paulo, ele recebe a missão de terminar o trabalho que seu pai espiritual começou.  Ele recebe AUTORIDADE para comandar a obra de Deus. Ele recebe AUTORIDADE para por em ordem e continuar o trabalho. Ele recebe AUTORIDADE para levantar homens maduros na fé e colocá-los como pastores do povo de Deus. Ele recebe AUTORIDADE pra gerar sua descendência espiritual.

Essa AUTORIDADE, ele não recebeu da pessoa de Paulo, mas de Deus, através da vida de Paulo.

Nós também temos direito a AUTORIDADE provinda de Deus. Podemos viver cheios dessa autoridade. Autoridade para governar tudo que Deus colocar em nossas mãos. Mas pra que isso aconteça, antes de sermos investidos e revestidos da autoridade de Deus, devemos nos achegar a Ele como filhos obedientes. Temos que andar submissos à liderança que Deus colocou sobre nossas vidas. À autoridade espiritual que está sobre nós. Porque é através dessa liderança é que somos abençoados com a herança e a autoridade de filhos de Deus.

Nós não podemos ter o desejo de sermos qualquer filho ou filhos relapsos. Ou indiferentes à presença e a vontade do pai. Devemos ser filhos que agradam o coração do pai. E os filhos que agradam o coração do pai são aqueles que dão continuidade ao que ele começou. São aqueles que assumem a responsabilidade de levar a frente e concretizar os planos e sonhos do pai.

Em Mateus 3: 16-17, está escrito:

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e vi o espírito de Deus, descendo como pomba, vindo sobre ele. Eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo.”

Quando Jesus se dispôs a ser batizado, ele estava assumindo a responsabilidade pela obra de Deus na Terra. Ele determinou ser a continuidade de Deus. Ele determinou ser a extensão de Deus no meio dos homens. Ele tinha pressa em cumprir a vontade do pai. Segundo a passagem lida: após ser batizado ele “saiu logo da água”, demonstrando sentir um desejo muito forte em realizar o maior sonho de Deus: A NOSSA SALVAÇÃO.

Jesus é o maior exemplo de filho que devemos seguir. Ele é aquele que cumpre cabalmente a obra do Pai, não importa a que consequências. Ele não se importou em ser traído, ser caluniado. Em troca do seu infinito amor recebeu xingamentos, cuspes no rosto, foi torturado e humilhado da pior maneira possível. Mas ele tinha uma missão: cumprir a vontade de seu pai amado.

Deus ama todos os homens de maneira incondicional e irrestrita. Mas os que movem o seu coração, os que conseguem tirar um sorriso de alegria de seu rosto, são os que dão continuidade a sua obra.

São aqueles que muitas vezes, se esquecem de si mesmos para cuidar dos pequeninos que Deus ama tanto. São aqueles que se esquecem de si mesmos e se dedicam a cuidar das coisas do pai.

São aqueles que deixam o egoísmo para trás para dividir o que tem: seu tempo, suas coisas, seu dinheiro.

São aqueles que ao invés de ficar falando mal dos outros ou criando intrigas, falam do amor de Deus o tempo todo. Dão testemunho do amor de Deus em suas vidas.

São aqueles que ao invés de reclamar e murmurar, eles louvam o seu nome em todas as circunstâncias. Se está chovendo, louvam. Se está geando, louvam. Se estão doentes, louvam. Se estão sem dinheiro, louvam. Louvam, louvam, louvam…

Porque reconhecem que Deus os ama tanto, tanto, tanto.

“Eu Te amo tanto, tanto, tanto, Filho vem ser meu. Filho eu quero ser seu Deus.”

Durante a semana, enquanto buscava a revelação dessa palavra, Deus me trouxe memórias da minha infância. Situações a respeito do relacionamento do meu pai comigo. Convivi diariamente com meu pai até os sete anos. Depois, ele se separou da minha mãe. Então, quase não o via. Às vezes, eu passava dias, meses, sem vê-lo.

Mas antes da separação, quando meu pai estava conosco, eu pude sentir o quanto meu pai nos ignorava, nos tratava com indiferença. Essa indiferença ele expressava em palavras e atos. Ele agia como se não se importasse com seus filhos.

Não me lembro se alguma vez ele sentou ao meu lado e tenha conversado comigo, uma conversa de pai e filho. Não me lembro de ter recebido um carinho, um afago, um abraço de pai.

Ele não sabia como ser pai. Ou simplesmente, não queria assumir a responsabilidade de ser pai. De ser um pai presente.

Como você reagiria diante dessa situação? O que você sentiria por uma pessoa que te tratasse com tanta indiferença?

Talvez ódio. Talvez se rebelaria contra esse pai?  Talvez responderia com a mesma indiferença?

Hoje eu, como adulto, confesso que não sei como reagiria. O que eu sei, com certeza, é como aquela criança, entre cinco e sete anos de idade, reagiu.

Mesmo sendo tratado com indiferença, mesmo sendo deixado de lado. O que eu mais queria era estar do lado do meu pai. Estar perto, ouvir a sua voz. Ouvi-lo contar histórias que ele não contava para mim, mas para os outros. E eu aproveitava para ouvi-las. Só queria estar ali, ao seu lado. Talvez querendo abraçá-lo com toda força que eu tinha e dizer o quanto eu o amava.

Sentia por aquele homem, meu pai, um amor tão grande, que era capaz de suportar essa maneira estranha como ele me tratava.

E você, meu irmão, como tem correspondido ao amor das pessoas que te amam? Como tem correspondido ao amor de seus pais espirituais? Como tem correspondido ao amor ilimitado de Deus sobre sua vida? Será que seu coração queima por Deus, da mesma maneira que o dessa criança por seu pai? Será que você deseja ardentemente estar na presença do Pai, todas os dias?

Porque Deus tem queimado de amor por nós, todos os dias. Está ao nosso lado em todos os momentos. Ele é como essa criança, mesmo quando agimos com indiferença em relação a sua presença. Mesmo quando esquecemos tudo o que ele fez por nós, ele está do nosso lado. Só esperando um pouco de atenção, um pouco de amor para com ele.

Por que ele nos ama, e nos quer por perto.

A parábola do filho pródigo, no livro de Lucas 15. 11-32 conta a história de dois filhos com atitudes distintas em relação ao pai. Um era totalmente egoísta, queria parte da herança a todo custo, não queria a intimidade do pai. Não queria andar debaixo da autoridade do pai. Não queria cuidar das coisas do pai e nem dar continuidade ao seu trabalho. Ele só queria viver a vida da maneira dele. De uma maneira egoísta e mesquinha. Por isso, saiu da presença do pai e foi viver a vida à sua maneira. Até que um dia, ele perde tudo. É humilhado, desprezado. Tratado como lixo. Então, ele reconhece que não há melhor lugar do que estar na presença do pai. Ele volta para casa totalmente arrependido. Ele está decidido a fazer tudo diferente. Está decido a ser um servo obediente, ele não se acha mais digno de ser filho. Ele quer ser um servo que cuida com esmero das coisas do seu senhor. E para sua surpresa, ele vê que seu pai o estava esperando e corre e o abraça. Ele recebe vestes novas, um anel no seu dedo e pai pede para seja preparada uma festa para comemorar o seu retorno. O pai lhe restaurou a autoridade de filho sobre a vida desse jovem, porque viu que no seu coração ele entendeu que o filho é responsável por cuidar das coisas do pai. Que a maior herança é ser a extensão do seu pai. Por isso, o pai coloca o anel no seu dedo, o chama de filho e lhe restaura a autoridade.

Deus tem nos esperado, meus amados. Tem nos esperado, com ansiedade, para que voltemos para ele com atitudes de filho. Porque ele quer nos curar, ele quer restaurar a nossa autoridade de filho.

O outro filho ao saber o que aconteceu, ao invés de se alegrar, se revolta. Acha injusta a atitude do pai. Se sente injustiçado. Porque esteve toda a vida ao lado do pai, mas não conhecia o coração do pai. Não compartilhava do amor do pai. Era indiferente à presença pai. Não tinha um coração quebrantado na presença do pai. Também era egoísta, pois não fazia o trabalho por amor ao pai, mas para que fosse recompensado. Ele vivia esperando as bênçãos de Deus sem saber que já poderia estar desfrutando da herança. Pois tudo o que era do pai também era dele.

E nós, de que maneira temos agido?

Uma das atribuições do meu trabalho como diretor auxiliar de um colégio estadual é  resolução de conflitos.

E nesta semana, houve uma erupção de conflitos no ambiente escolar, algo além do normal. E quando começávamos a ouvir esses adolescentes que estavam envolvidos nessas situações conflituosas, descobrimos que, na maior parte das vezes, não existe um pai para conduzir essas pessoas. O pai morreu de morte natural ou foi assassinado. O pai não quer saber do filho. O pai mora longe. O pai mora com o filho mas o ignora. Outros não sabem que é seu pai.

Há muitos órfãos por aí, precisando de um carinho de pai. Precisando de pais espirituais que os conduzam ao nosso pai amado, nosso Deus maravilhoso.

Mas antes, nós temos que aprender a ser FILHOS. Porque só pode ser PAI aquele que sabe ser FILHO.

Receba a autoridade de filho sobre a sua vida. Seja submisso aos seus pais naturais e também aos seus pais espirituais.

“O servo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre.”  – João 8:35

 

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